No primeiro semestre desse ano, fiz uma matéria sobre um esporte pouco conhecido nacionalmente: o Badminton.
Ela foi realizada para ser publicada no jornal Barão Notícias, um periódico feito por nós, alunos da Facamp.
Procurei falar um pouco sobre como é o esporte e, através entrevistas com o técnico da seleção, Luiz Fernando Coutinho, e alguns jogadores, tentei fazer um panorâma do futuro do esporte no país.
BADMINTON: Tênis com petecas No país do futebol, são poucos os que já ouviram falar de badminton. Campinas é o principal pólo desse esporte, que é muito similar ao tênis, no Brasil. Isso se deve ao fato de a cidade ter abrigado a primeira equipe da modalidade e onde o esporte ganhou tradição. A cidade também abriga o centro de treinamento da Seleção Brasileira, fundado em 2006 e mantido pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Para reforçar a posição da cidade, mais de 70% dos atletas da seleção são da cidade, onde também vivem o técnico e o presidente da Confederação Brasileira de Badminton (CBD).

Fernando Bosco, 18 anos, pratica o esporte desde o final de 2002 e foi chamado para integrar a seleção em 2006. “Eu jogava tênis antes, mas era um esporte muito popular e, por isso, mais caro para participar de torneios. Surgiu a oportunidade do badminton, um esporte também de raquetes, mas muito mais barato e rápido que o tênis”, afirma Bosco. Segundo ele, a infra-estrutura oferecida para que os atletas da seleção se preparem, tanto física como tecnicamente, pode ser considerada de boa qualidade. “O apoio à seleção e aos atletas tornou-se muito maior, os patrocínios são mais freqüentes e nós temos um centro de treinamento bem aparelhado aqui em Campinas, que fazem com que a infra-estrutura seja considerada muito boa.”
Luis Fernando Cereda, jogador da seleção desde 2005, também acredita na evolução do esporte no Brasil e é otimista quanto às possibilidades de classificação nos jogos olímpicos de 2012, em Londres. “É nosso principal objetivo e estamos trabalhando justamente para ter a vaga, algo que nunca conseguimos antes. Com muito trabalho e suando a camisa, creio que as chances são grandes”.
A história do badminton no Brasil é muito recente. O esporte chegou aqui em 1986, trazido pelo indonésio Boujung Witarsa, que o implementou na Escola Americana de Campinas. O divertido jogo de raquetes e peteca chamou a atenção do empresário Ricardo Araújo, que, depois de ir para a Europa se especializar na modalidade, levou-a para a Sociedade Hípica de Campinas, um dos clubes mais tradicionais da região. Lá, o esporte passou a ser praticado eventualmente e não tardou para que fosse difundido para outros clubes e logo se espalhasse por outros estados.
O esporte surgiu em 1870, na Índia, com o nome de poona. Militares ingleses gostaram de praticá-lo e o levaram para a terra da rainha. A partir daí, a modalidade foi ganhando espaço sobretudo entre a elite, teve o nome mudado para Badminton e, em 1934, ganhou Federação Internacional (IBF). A Federação foi fundada com nove membros e, atualmente, conta com 130 países. O esporte integra os jogos olímpicos desde 1992, quando estreou nos jogos de Barcelona.

O badminton é jogado em duplas ou individualmente. Os principais equipamentos são uma raquete de cabo longo feita de grafite, com peso de 85 a 115 gramas, e uma peteca de dezesseis penas. O esporte é muito similar ao tênis. O objetivo é jogar a peteca para o lado do adversário, de modo que ela caia dentro da quadra, cujas medidas são de 6,1 por 13,4 metros para jogos de duplas e de 5,18 por 13,4 metros para jogos simples. Vence o set quem fizer um determinado teto de pontos primeiro – 15 par os homens e 11 para as mulheres.
A ascensão do esporte no âmbito nacional é evidente. Segundo o assessor de imprensa da CBD, Hilton Fernando, desde que a modalidade foi integrada ao jogos olímpicos, os cartolas passaram a vê-la com mais atenção. Mas só de alguns anos para cá é que foram dadas as condições necessárias para que os atletas brasileiros participassem de campeonatos internacionais sem “passar vergonha”, como diz Hilton. “Os atletas antes faziam viagens de turismo, não iam para realmente disputar o campeonato”, diz. O técnico da seleção brasileira, Luís Fernando Coutinho, credita a recente ascensão do esporte à medalha inédita conquistada nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. “A medalha chamou a atenção da mídia e a aparição dos atletas para dar entrevistas e mostrar o esporte fez com que ele se tornasse mais conhecido”, disse Luís Fernando.
O treinador, contudo, admite que há muito fazer para melhorar a posição brasileira no âmbito mundial. “O Brasil ainda está engatinhando”, diz. Segundo ele, o esporte é muito tradicional na Ásia, principalmente China e Indonésia, onde existe infra-estrutura para que haja uma boa formação de atletas. “Nesses países todas as escolas têm quadras de badminton e o acesso é muito mais fácil. No Brasil isso ainda não acontece”, diz Luís Fernando. Segundo ele, nós já estamos bem situados nas Américas, mas mundialmente falando, estamos muito no começo.

Depois da conquista da medalha no Pan, o principal objetivo agora é uma classificação para os jogos olímpicos de 2012, já que não foi possível disputar os de Pequim. O Brasil disputava a vaga olímpica com apenas um atleta, Guilherme Pardo. O técnico da seleção creditou a perda da vaga à geração da qual o atleta vinha. Para ele, Pardo vinha de uma geração em que o esporte ainda não era tão profissional e não existia uma cultura de treinos forte. Luís Fernando se mostrou bastante confiante na nova safra de atletas brasileiros e acredita com uma possível classificação para os jogos de 2012. Para ele, essa geração é muito jovem e forte, e o fato de hoje os treinamentos serem muito mais freqüentes e eficientes do que antes deve ajudar no desenvolvimento dos atletas. Além disso, a seleção está em busca de um aprimoramento da parte física com a ajuda de profissionais da área de educação física.
Mas, para conseguir firmar essa ascensão e colher os frutos do crescimento, o esporte ainda precisa vencer a barreira da popularização. O acesso aos jogadores ainda é muito restrito, pois o badminton é jogndo, quase que exclusivamente, em clubes. Isso faz com que haja uma seleção muito restritiva de atletas, que são, em sua grande maioria, de classe média-alta. “Esse é um problema para o país, mas creio que novos espaços serão abertos”, afirma Luís Fernando. Ele ainda disse que existem alguns projetos de popularização do esporte em andamento. “No Rio de Janeiro tem um projeto na favela da Chacrinha, onde foi construído um prédio no meio da favela só para badminton” disse o técnico da seleção.